





O Século XXI, o Imediatismo
e a Indiferença
(sobre Inclusão)
por
Ivan Roberto Capelatto . dezembro de 2008
Estamos hoje, em poucas instituições espalhadas pelo país, instaurando o
pensar e o agir sobre a idéia e o conceito da "inclusão", cujo significado
mais simples é colocar juntos, lado a lado, pessoas com diferentes sentimentos,
pensamentos e habilidades, sejam elas físicas, mentais ou intelectuais.
Uma idéia fantástica, cuja finalidade é a aprendizagem da convivência entre
sujeitos com diferentes dificuldades-habilidades, preparando-os para uma
relação cidadã, para uma relação mais humana, mais ligada à realidade que
nos leva a considerar as diferenças como espaços a serem diminuídos, preenchidos
pela solidariedade, compreensão e cooperação, até a construção do sentimento
de igualdade.
Mas, ledo engano. Uma parte do nós, crianças, adolescentes ou adultos, uma
pequena parte de nós, consegue esta maravilhosa arte da convivência com
a diferença; uma grande parte de nós, infelizmente, não tem a lucidez suficiente
para tal arte. Mesmo entre "iguais", cometemos o ato vil e destrutivo do
"bullying", que é a destruição, através de palavras, atos e indiferença,
onde o outro, por ser mais gordo ou mais magro, mais alto ou mais baixo,
mais gordo ou mais magro, ou simplesmente por usar óculos, simplesmente
por tirar boas notas, ou simplesmente por querer ser diferente do grupo,
será agredido e isolado.
Inclusão é um belo e feliz projeto, onde escolas já mostraram resultados.
O problema é que não passamos ainda, para nossas crianças, nossos jovens
e nossos adultos o sentimento de que todos somos diferentes; não precisamos
ser cadeirantes, deficientes visuais, auditivos, mentais ou mutilados. Nossas
diferenças são na nossa aparência, na nossa maneira de olhar as coisas,
nas escolhas (o time, a religião, a cor, a música, a profissão, etc), na
política, na posse econômica e financeira - somos pobres ou ricos - e na
maneira de falar.
Não ensinamos essa inclusão: nossas crianças ainda comparam as marcas do
carro dos pais, o tamanho das casas dos amigos, a cor do corpo dos coleguinhas,
xingam os estudiosos de "nerds" e os agridem com o distanciamento, dividem
os grupos na classe entre "pops" e não-pops e assim em inúmeras outras classificações.
Ainda temos nas crianças mais velhas a divisão das classes entre os que
fumam, bebem, os "bv's" e os que já se arriscaram em coisas mais pesadas.
Cada vez mais instituímos diferenças... e, de outro lado, queremos instituir
a inclusão como política de crescimento humano e cidadania. Enquanto a sociedade
estiver promovendo e autorizando essa "pressa" para se ter prazer, essa
necessidade para se estar belo e esteticamente perfeito, para se ter prazer
"já", não poderemos falar em inclusão, pois incluir significa permitir a
"diferença" ao nosso lado, o que mancha a estética e denigre o prazer. COMO
ENSINAR ISSO?
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